A problemática da individuação

Por que é tão difícil ser “si mesmo”? A problemática da individuação
di Adriana Tanese Nogueira

Ser “si mesmo” e ser “diferente” é uma idéia que ganhou espaço na cultura geral. É ofensivo acusar alguém de ser estereotipado, pois isso significa banalizar sua personalidade e é, basicamente, chamar a pessoa de estúpida. Estereótipos sempre são triviais.
Entretanto, quem sair dos discursos fáceis e se venturar no caminho do ser “si mesmo”, irá logo descobrir que não é tão simples como as palavras fazem crer. Esta questão é o cerne da maior parte das problemáticas individuais, do sofrimento e desajuste social.
Compreendê-la melhor é o primeiro passo para encarar o desafio de forma construtiva e mover-se na direção de superá-lo.
“Ser si mesmo” significa diferenciar-se do ambiente e da cultura na qual se nasceu, se cresceu e se vive. Significa “tornar-se si mesmo”, expressando as características únicas que fazem de cada pessoa um individualidade, e não o clone de um modelo dado. Essa diferenciação ocorre em diversos aspectos: na forma de pensar, de sentir, de entender, de proceder, de escolher, nas prioridades e nos comportamentos. Dá para perceber que se trata de algo complexo e que não ocorre da noite para o dia. Este processo chama-se tecnicamente Individuação.
“A tendência a se individuar é espontânea, como porém é espontânea também a tendência contrária a identificar-se com os modos de comportamento da família, do grupo, da sociedade da qual se faz parte e a comformar-se aos usos e aos costumes relativos ao ambiente cultural no qual se vive.”

(S. Montefoschi, 1985, p. 85)
Duas tendências conflitantes correm pelas nossas veias: aquela a individuar-se, a ser “si prióprio” e aquela a conformar-se às regras do grupo para nele permanecer. Este conflito de tendências está representado com frequência no símbolo da cruz que aparece em sonhos:
Uma mulher olha para sua aliança e nela vê um “buraco” em forma de cruz.
Um homem está numa igreja durante a missa. Ele segura 2 crucifixos. De repente, entra em transe, parece que está flutuando e depois não vê mais nada.
No primeiro sonho, o símbolo da casamento (a aliança) carrega a marca da cruz. No segundo, o sonhador carrega duas cruzes: a própria ambivalência e conflitualidade e mais aquelas da esposa. Sendo esta muito católica, o carregar das cruzes da parte dele assume a conotação de uma condição inalienável, uma imposição necessária que é tão pesada que o sonhador chega a entrar em trance, tornando assim inviável enfrentar o problema, pois perde a consciência.
“Inserir-se no consórcio humano de maneira singular e responsável comporta portanto assumir o peso do próprio ser diferente, da própria ambivalência e do conflito com o mundo externo.”
(S. Montefoschi, 1985, p. 85)
Individuar-se rima com responsabilizar-se. E do que, exatamente? Do próprio conflito, da vontade de adaptar-se e de “não pensar” e daquela de mudar de rumo, tomar atitudes e, afinal, ser diferentes das expectativas externas. Isso é conflito.
“Para carregar esta ambivalência e resolvê-la a cada momento de forma pessoal é preciso que o individual seja capaz de conservar a estima de si para além de qualquer papel aprovado pela coletividade.”
(S. Montefoschi, 1985, p. 85)
Este conflito tem solução, mas se trata de soluções criadas de forma pessoal para resolver cada vez determinadas e precisas situações. Soluções estereotipadas oferecem comportamentos padronizados, como, por exemplo, um dos mais comuns afirma que num disacordo de ideas ou escolhas uma das pessoas simplesmente se calar para não “brigar”. Na solução individualizada, o momento, a situação e os protagonistas são olhados de perto no que eles dizem, sentem e demonstram; a scena é elaborada e uma atitude é tomada.
Esta opção é possível quando a auto-estima da pessoa que a busca consegue elevar-se para além da situação que está tratando. Ou seja, ela deve poder continuar a sentir seu valor próprio mesmo se entrar em atrito com a outra. Toda discordância gera um atrito e este tem um efeito imediato na auto-estima das pessoas envolvidas. Como elas vão administrar essa vivência interior determina os comportamentos tomados.
“Se a estima está ligada a um papel que se representa é impossível pô-lo em discussão e por conseguinte por em discussão as soluções já dadas aos problemas da vida e assim renová-las, renovando a si mesmos.”

(S. Montefoschi, 1985, p. 85)
Concluindo, podemos dizer que existem novas soluções para antigas situações-problema. Ser capazes de olhar de perto, de analisar as variáveis e peculiaridades de cada situação e do nosso ser naquele momento constitui precisamente o caminhar rumo à individuação, ou melhor, é individuar-se.
Silvia Montefoschi, C. G. Jung, Un Pensiero in Divenire, Milano, Garzanti, 1985.
http://www.psicologiadialetica.com/2010/08/por-que-e-tao-dificil-ser-si-mesmos.html
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